quinta-feira, 14 de março de 2013

OS MURAIS DE ERNEST ZACHAREVIC

Os desenhos em sintonia com os objetos das ruas tornam a street art de Zachas, como o próprio artista assina suas obras, uma brincadeira com as banalidades e com a falta de um olhares mais atentos para o espaço que nos circunda. A arte não tem espaço para surgir e a criatividade nasce do desejo de transformar.



© Ernest Zacharevic, "Children in a boat".

As grandes cidades do mundo não param para olhar para os lados. Estamos todos focados, aprisionados pelo relógio, pelo depois. A street art sempre provocou os olhares em lugares inesperados, como que dizendo: se você não vai até à arte, a arte virá até você. Com intervenções urbanas do tipo que se apropria do espaço comum para fazer arte, Ernest Zacharevic deixou seus murais espalhados pela Malásia.

Alguns murais foram inspirados por fotografias, como é o caso de "Children in a Boat", outros podem ser mais abstratos, como "Broken Heart", estimulando nossa inquietação: dois telefones públicos pintados com um coração partido. Será a cabine telefônica um símbolo de solidão e do enclausuramento no meio da cidade, o local onde se pode receber as piores notícias?



© Ernest Zacharevic, "Children in a boat" (fotografia original).


© Ernest Zacharevic, "Children in a boat", materializando a obra.


© Ernest Zacharevic, "Broken Heart".

Esta intervenção em George Town, Penang, é feita de uma forma criativa que cativa ainda mais: o artista parte dos próprios objetos que já estão lá, como janelas, telefones públicos ou bicicletas, para fazer de seus desenhos meio arte, meio reais, a eterna brincadeira de descobrir o que é arte e o que é realidade.

O encontro do urbano com o artista revela o olhar diferenciado sobre o espaço comum de todos. Ernest não se apropria de sua arte, não expõe - ele opta pelo caráter irônico, imprevisível, casual da street art. Utilizando-se do espaço a seu prazer, ele brinca com o que já estava lá, apenas modificando a compreensão. Ilusão, ironia, criatividade. A street art dos murais de Zacharevic na Malásia é impressionante pela amplitude, tanto em dimensão quanto em arrebatamento. A partir de agora é melhor começar a olhar para os lados, para o inusitado, para o cotidiano - a arte pode surpreender na próxima esquina.



© Ernest Zacharevic, a fotografia do "antes" da porta.


© Ernest Zacharevic, colocar a mota na posição.


© Ernest Zacharevic, "Boy on a bike".


© Ernest Zacharevic a trabalhar.


© Ernest Zacharevic a trabalhar.


© Ernest Zacharevic, "Little children on a bicycle.


© Ernest Zacharevic, "Little girl in blue".


© Ernest Zacharevic, "Reaching up".


© Ernest Zacharevic, "Reaching up" à noite.

Até a proxima Arteiros!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Hoje a musa é você!



                                      História do 8 de março

No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Objetivo da Data

Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva detrabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história.



Conquistas das Mulheres Brasileiras

Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo elegislativo.



Marcos das Conquistas das Mulheres na História



- 1788 - o político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres.

- 1840 - Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos.

- 1859 - surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.

- 1862 - durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.

- 1865 - na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.

- 1866 - No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas

- 1869 - é criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres

- 1870 - Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.

- 1874 - criada no Japão a primeira escola normal para moças

- 1878 - criada na Rússia uma Universidade Feminina

- 1901 - o deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres

quinta-feira, 7 de março de 2013

O fascínio das musas Ultima parte


 

Mona Lisa (ou La Gioconda) é uma famosíssima obra de arte feita pelo italiano Leonardo da Vinci. O quadro, no qual foi utilizada a técnica do sfumato, retrata a figura de uma mulher com um sorriso tímido e uma expressão introspectiva.

Em 1516, Leonardo da Vinci levou a obra da Itália para a França, quando foi trabalhar na corte do rei Francisco I, o qual teria comprado o quadro. Depois disso, a obra passou por várias mãos, chegando até mesmo a ser roubada. Napoleão Bonaparte, por exemplo, tomou a obra para si. Em 1911, a obra de arte foi roubada pelo italiano Vincenzo Peruggia, que a levou novamente para a Itália. Peruggia pensava que Napoleão havia tomado o quadro da Itália e levado para a França, assim desejou levar novamente a obra para sua terra natal.

Uma das grandes discussões no meio artístico é sobre a mulher representada no quadro. Muitos historiadores acreditam que o modelo usado no quadro seja a esposa de Francesco del Giocondo, um comerciante de Florença. Outros afirmam que seja Isabel de Aragão, Duquesa de Milão, para a qual da Vinci trabalhou alguns anos. Para Lillian Schwartz, cientista dos Laboratórios Bell, Mona Lisa é um autorretrato de Leonardo da Vinci. 


Essa talvez tenha sida a única musa que não tenha se envolvido românticamente com o pintor ou que não tenha sido relacionada a nenhum caso amoroso conhecido e por mais incrível que pareça é também a mais valiosa de todas.
até o próximo post...

quarta-feira, 6 de março de 2013

O fascínio das musas - quinta parte






Se algumas musas possuíram uma longa e sofrida, vida esse não foi o caso da italiana Simonetta Vespucci. Casada com Marco Vespucci, primo do navegador Américo Vespúcio, Simonetta foi eleita a “Rainha da Beleza” de Florença e colecionava admiradores pela cidade. Musa do Renascimento, Vespucci foi modelo de diversas obras do pintor Botticelli, como “Retrato de uma mulher” e “Primavera". Um assunto que gera inúmeras e controversas opiniões é se Vespucci foi a inspiração para o famosos quadro “O nascimento de Vênus”. Diz-se que o último pedido de Botticelli foi que ele fosse enterrado aos pé de “La Bella Simonetta” na Igreja da família Vespucci, o Ognissanti. O que reforça a tese de que o pintor também se encantou pela bela Simonetta.

 

Amantes, esposas ou amigas. Incentivadoras ou controladoras. Únicas ou múltiplas. Vítimas do amor ou de interesse. Não há um modelo-tipo da musa inspiradora ou do relacionamento com seu gênio criador, mas, felizmente para nós, a intensidade das relações ultrapassava o âmbito pessoal e se materializava em admiráveis obras de arte.

Até o próximo post...

terça-feira, 5 de março de 2013

O fascínio das musas - quarta parte









Outra representante das “musas de vários artistas” é Elizabeth Siddal. Lizzie, como era chamada, encantou a Irmandade Pré-Rafaelita, composta pelos artistas Dante Gabriel Rossetti, William Holman Hunt e John Everett Millai. Porém, quem mais a tomou como musa dentre eles, chegando a impedir aos poucos que Siddal posasse para os outros artistas, foi Dante Rossetti. Rossetti a retratou em inúmeras obras, até que Lizzie, ficando doente e viciada em ópio (presente no láudano, utilizado como remédio) foi perdendo aos poucos a beleza tão admirada pelos pré-rafaelitas. Aos poucos, o artista a substituiu por outras modelos. Apesar disso, Elizabeth Siddal e Rosseti se casaram e permaneceram juntos (mesmo com as inúmeras traições dele) até à morte dela. Diz-se que, após a morte de Lizzie, Rossetti se arrependeu muito do tratamento dado a sua musa.











Até o próximo post...

segunda-feira, 4 de março de 2013

O fascínio das musas - terceira parte









Se Picasso foi o gênio de várias musas, Alma Mahler-Werfel foi a musa de vários gênios. Filha de um pintor de paisagens e de uma cantora, Alma esteve sempre envolvida no mundo da arte, frequentando os jantares oferecidos aos artistas em sua casa. A austríaca foi mulher de expoentes das diversas artes: seu primeiro beijo foi em Gustav Klimt. Casou-se com o compositor Gustav Mahler, que trocou depois pelo arquiteto alemão Walter Gropius e pelo poeta Franz Werfel, além de ter tido um caso com o pintor Oskar Kokoschka. Ficou conhecida como a menina mais bonita de Viena ou, noutra perspectiva, como femme fatale, expressão talvez mais apropriada a suas conquistas amorosas.




sexta-feira, 1 de março de 2013

O fascínio das musas - segunda parte



Se o trabalho de Picasso foi influenciado por suas diversas musas, uma reinou soberana na obra de Salvador Dali. Gala Éluard (Elena Ivanovna Diakonova, seu verdadeiro nome), russa, dez anos mais velha que o artista catalão e ex-esposa do poeta surrealista Paul Éluard. As teorias a respeito da influência de Gala na vida e no trabalho de Dali vão além de apenas uma musa inspiradora para alguns quadros. Sugere-se que Gala foi fator determinante no sucesso de Dali, ao incentivar que ele desse voz e investisse em sua “loucura genial”. Gala, além de musa inspiradora, era também responsável por administrar suas finanças, o que, segundo consta, fazia com mão-de-ferro...



 Até o próximo post...